Perda
gestacional
A perda gestacional é um problema que
ocorre em até 15% das gestações, mas é pouco falado, podendo desencadear até
transtornos psiquicos.
A literatura apresenta várias
dificuldades no processo de luto do aborto espontâneo, entre elas: ausência de
uma memória concreta do feto, sentimento de culpa da mulher e risco de
transtornos psicológicos (BOYCE, CONDON, ELLWOOD, 2002) como a depressão, que
segundo Veiga (2009) é o prevalente nesta situação.
É necessário reconhecer a perda
gestacional como sendo algo doloroso para a família e para a mulher.
O
modo como cada mulher sente estar dor é um processo individualizado, porém há
certos sentimentos que são recorrentes neste caso, como a culpa e a vergonha.
A
mulher se vê sozinha diante de suas dúvidas, temores e lamentos.
Segundo Benute et. al.
(2009), em estudo com mulheres que realizaram abortamento espontâneo ou
provocado, a mulher faz um movimento para buscar responsáveis a fim de não lidar
com a angústia vivida pelo abortamento e, se ela consegue achar um culpado, sua
angústia é projetada no outro, impossibilitando assim a reflexão e a elaboração
do processo vivido. Porém, quando não é possível responsabilizar alguém, “a
angústia gera conflito e este possibilita a compreensão e a integração do
significado do abortamento” (p. 326).
De acordo com Duarte e Turato (2009) é
comum para a mulher a sensação de viver um sonho após a perda fetal, pois a
mulher despersonaliza por não ter a criança em seus braços.
A perda gestacional representa uma
ruptura na vida das mulheres, na qual há a reconstrução de sua identidade,
fazendo com que a mulher tenha que lidar com sentimentos de impotência e
incapacidade, causando grande impacto em sua feminilidade (QUAYLE, 1997; SANTOS,
ROSENBURG, BURALLI, 2004; VEIGA, 2009).
A partir da perda fetal, segundo
Bartilotti (1998) a mulher percebe a impossibilidade da maternidade e tem um
sentimento de fracasso.
Referências Bibliográficas
Bartilotti, M. R. M. B. (1998). Obstetrícia e
Ginecologia: urgências psicológicas. In: Angerami-Camon (Org.), V. A. Urgências
psicológicas no Hospital (pp.193 - 206). São Paulo: Pioneira.
Boyce, P.; Condon, J. T.; Ellwood, D. A (2002). Pregnancy Loss: a major life event affecting emotional
health and well- being. Medical Journals Association, 176.
Duarte, C. A. M.; Turato, E. R. (2009). Sentimentos
presentes nas mulheres diante da perda fetal: uma revisão. Rev. Psicol. em
estudo, 14 (3). Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://www.scielo.br/pdf/pe/v14n3/v14n3a09.pdf.
Quayle, J. (1997). Óbito Fetal e Anomalias Fetais:
repercussões emocionais maternas. In: ZUGAIB, M.; Tedesco, J. J.; Quayle, J.
(orgs.) Obstetrícia Psicossomática (pp. 216 - 230). São Paulo: Atheneu.
Santos, A. L. D.; Rosenburg, C. P.; Buralli, K. O.
(2004). Histórias de perdas fetais contadas por mulheres: estudo de análise qualitativa.
Rev. Saúde Pública, 38 (2). Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v38n2/19788.pdf.
Veiga, D. S. (2009). Luto e aborto espontâneo. Rev.
Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, 4 (8).
Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://susanaalamy.sites.uol.com.br/.