“Ixi... já foi!” Como a ejaculação
precoce pode afetar na qualidade de vida.
A
ejaculação precoce (EP) é a disfunção sexual masculina mais frequente,
ocorrendo em cerca de 20 a 30% dos homens em algum período de sua vida sendo
mais frequente em jovens (Francischi, 2011; Abdo, Oliveira Jr., Moreira e
Fittipaldi, 2002). Ela é definida como “a persistente ou recorrente ejaculação
com estimulação sexual mínima, antes, durante ou logo após a penetração e antes
que o sujeito o deseje, causando mal estar acentuado ou dificuldades
interpessoais” (APA, 2000, p. 552).
Muitos
pesquisadores sugerem vários tipos de ejaculação precoce. Ela pode ser primária
(ao longo da vida), o que quer dizer que ela ocorre desde o período que se
iniciou a vida sexual. Ou, ela pode ser secundária, aparecendo após o inicio da
vida sexual (APA, 2000).
Tem se
notado que há relação entre a satisfação sexual e a ejaculação precoce
(Francischi, 2011). Os tratamentos são diversos e podem ser desde psicoterapia,
terapias tópicas com uso de cremes e terapia medicamentosa, com a utilização de
remédios (Francischi, 2011).
A
ejaculação precoce é uma disfunção que afeta homens de todas as idades e tem
efeitos tanto sobre a qualidade de vida do homem quanto de sua parceira
(Francischi, 2011).
A EP
está associada muitas vezes a uma gama de “efeitos psicológicos negativos,
incluindo ansiedade, depressão e angústia, quer no homem, quer na sua
parceira/o. O sofrimento interpessoal resultante da EP pode afetar a qualidade
de vida dos homens, a sua relação com parceiros/as, a sua autoestima e
autoconfiança” (Oliveira et.al, 2013).
Montorsi
(2005) aponta que a ansiedade desempenha um importante papel na EP, tendo sido
descrita pelos pacientes, diversas vezes como coexistente com EP (Oliveira
et.al., 2013)
Em um
estudo realizado por Oliveira e outros (2013) trouxe vários fatores de caráter
psicossocial, sendo que os mais apontados foram a ansiedade e o medo, crenças
baseadas em princípios religiosos, baixa autoestima e imagem corporal,
histórias de abuso sexual e dificuldades de relacionamento interpessoal.
“Na
EP, além da ansiedade, a insegurança, medo de fracasso, depressão, estresse,
cansaço e problemas com a parceira podem estar associados a esta disfunção
sexual, interferindo no controle do processo ejaculatório” (Oliveira et.al.,
2013, p. 8).
Não é
apenas na EP que surgem efeitos negativos, outras disfunções sexuais como a
disfunção erétil também acarretam efeitos negativos sobre a autoimagem, perda
de confiança, estresse e depressão (Galati, 2014).
Muitas
vezes, os homens que sofrem de ejaculação precoce temem falar sobre o assunto
com outras pessoas. Estamos numa sociedade machista e o homem tem que ser a
todo momento viril, potente, não podendo demonstrar fraquezas e tendo que estar
sempre pronto. Essa exigência social faz com que o homem se exija cada vez mais
e crie expectativas muito grandes.
O mais
importante é reconhecer que há uma dificuldade e procurar ajuda, além de
entender que, após várias experiências sexuais negativas, frustrações e cobranças
de parceiro (a) mesmo que veladas podem gerar receios sobre as próximas
relações sexuais e uma diminuição acentuada do desejo sexual, acarretando na
qualidade de vida do homem.
Bibliografia
Abdo,
C. H. N.; Oliveira Jr., W. M.; Moreira, E.D.; Fittipaldi, J.A.S.(2002). Perfil
sexual da população brasileira: resultados do estudo do comportamento sexual
(ECOS) do brasileiro. Rev. Bras. Med., v. 59, n. 4, p. 250-257.
American
Psychiatric Association (2000). DSM-IV-TR: Manual de diagnóstico e estatística
das perturbações mentais, 4ed. Lisboa: Climepsi Editores.
Francischi,
F. B. de (2011). Ejaculação precoce: existe terapia suficiente? São Paulo: Rev.
Einstein, v.9, n.4.
Oliveira,
F.; Dias, S.; Neves, S; Saldanha, S. (2013).
Ejaculação prematura. Psicologia.pt.
