quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Perda gestacional

Perda gestacional


A perda gestacional é um problema que ocorre em até 15% das gestações, mas é pouco falado, podendo desencadear até transtornos psiquicos.
A literatura apresenta várias dificuldades no processo de luto do aborto espontâneo, entre elas: ausência de uma memória concreta do feto, sentimento de culpa da mulher e risco de transtornos psicológicos (BOYCE, CONDON, ELLWOOD, 2002) como a depressão, que segundo Veiga (2009) é o prevalente nesta situação.
            É necessário reconhecer a perda gestacional como sendo algo doloroso para a família e para a mulher.
            O modo como cada mulher sente estar dor é um processo individualizado, porém há certos sentimentos que são recorrentes neste caso, como a culpa e a vergonha.
            A mulher se vê sozinha diante de suas dúvidas, temores e lamentos.
Segundo Benute et. al. (2009), em estudo com mulheres que realizaram abortamento espontâneo ou provocado, a mulher faz um movimento para buscar responsáveis a fim de não lidar com a angústia vivida pelo abortamento e, se ela consegue achar um culpado, sua angústia é projetada no outro, impossibilitando assim a reflexão e a elaboração do processo vivido. Porém, quando não é possível responsabilizar alguém, “a angústia gera conflito e este possibilita a compreensão e a integração do significado do abortamento” (p. 326).
De acordo com Duarte e Turato (2009) é comum para a mulher a sensação de viver um sonho após a perda fetal, pois a mulher despersonaliza por não ter a criança em seus braços.
A perda gestacional representa uma ruptura na vida das mulheres, na qual há a reconstrução de sua identidade, fazendo com que a mulher tenha que lidar com sentimentos de impotência e incapacidade, causando grande impacto em sua feminilidade (QUAYLE, 1997; SANTOS, ROSENBURG, BURALLI, 2004; VEIGA, 2009).
A partir da perda fetal, segundo Bartilotti (1998) a mulher percebe a impossibilidade da maternidade e tem um sentimento de fracasso.

Referências Bibliográficas

Bartilotti, M. R. M. B. (1998). Obstetrícia e Ginecologia: urgências psicológicas. In: Angerami-Camon (Org.), V. A. Urgências psicológicas no Hospital (pp.193 - 206). São Paulo: Pioneira.
Boyce, P.; Condon, J. T.; Ellwood, D. A (2002). Pregnancy Loss: a major life event affecting emotional health and well- being. Medical Journals Association, 176.
Duarte, C. A. M.; Turato, E. R. (2009). Sentimentos presentes nas mulheres diante da perda fetal: uma revisão. Rev. Psicol. em estudo, 14 (3). Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://www.scielo.br/pdf/pe/v14n3/v14n3a09.pdf.
Quayle, J. (1997). Óbito Fetal e Anomalias Fetais: repercussões emocionais maternas. In: ZUGAIB, M.; Tedesco, J. J.; Quayle, J. (orgs.) Obstetrícia Psicossomática (pp. 216 - 230). São Paulo: Atheneu.  
Santos, A. L. D.; Rosenburg, C. P.; Buralli, K. O. (2004). Histórias de perdas fetais contadas por mulheres: estudo de análise qualitativa. Rev. Saúde Pública, 38 (2). Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v38n2/19788.pdf.
Veiga, D. S. (2009). Luto e aborto espontâneo. Rev. Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, 4 (8). Recuperado em 29 de outubro de 2010: http://susanaalamy.sites.uol.com.br/.

"Cabe ao terapeuta perceber que naquela árvore humana há alguém que embora esteja com os ramos ressecados ou no outono dos transtornos ansiosos e/ou afetivos, pode ser capaz de voltar a florescer, desde que esteja plantada em um solo fértil de orientação profissional e acolhimento familiar e social."
Braga, 2012. 




terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Gestalt-terapia e a busca pela integração

A Gestalt- terapia é uma abordagem de psicoterapia, que teve como seu maior divulgador Frederick Perls. Ela é o resultado de variadas teorias científicas, entre elas a psicologia da Gestalt.
Além da Psicologia da Gestalt, há a influência de conceitos filosóficos ocidentais e orientais.
A Gestalt busca o equilíbrio e nela, ninguém mais sabe do paciente do que ele mesmo. Nossa função como gestalt-terapeuta é observar e contar para o cliente o que ele está vendo.

Buscamos a integração, pois normalmente as pessoas se aliviam quando conseguem se integrar. À medida que consigo ser um, fico muito mais forte e tenho muito mais possibilidades de lidar com o mundo.  

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A sexualidade e o prazer

A sexualidade faz parte do ser humano e, por esse motivo, devemos nos atentar a ela. Atualmente, o sexo aparece muito na mídia, porém será que há realmente abertura para falar sobre sexualidade? E mais, como você enxerga o prazer? Este artigo tem o objetivo de trazer esta questão à tona para nos instigar a falar mais sobre sexualidade e prazer.
Em um estudo sobre sexualidade no Brasil, Abdo (2004) demonstra que dificuldades sexuais trazem comprometimentos na autoestima, na produtividade no trabalho, no relacionamento familiar e social além das próprias dificuldades sexuais.
Resolvi escrever sobre esse tema, pois ouvi muito em consultório sobre o como é difícil falar sobre sexualidade. Adolescentes e adultos demonstram vergonha e medo de falar.
Apesar de ser um dos aspectos de nossa personalidade, a sexualidade é relegada ao último plano.  Agora pense: será que você deixa sua sexualidade em último plano? Será que você sente prazer?
Se formos pensar numa resposta sexual saudável teoricamente, pensamos que ela é um conjunto de quatro etapas: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Na primeira etapa, ocorrem fantasias sexuais e o desejo pela atividade sexual. Logo após, há a fase de excitação com alterações corporais. Em seguida, há a terceira fase, a fase do orgasmo, na qual há a sensação de prazer máximo. Enfim, há a quarta fase, em que a tensão sexual diminui e abre espaço para uma sensação de relaxamento e bem-estar, o prazer.
Mas e o que é prazer?  
Prazer é um “sentimento agradável que alguma coisa faz nascer em nós”.
Para ter prazer sexual, eu preciso estar focado no presente e entregar-me às sensações, sentimentos e fantasias do momento.
Porém, em um mundo em que as relações estão tão liquidas, ou seja, rápidas, buscamos o prazer imediato; buscamos relações que nos proporcionem o prazer imediato. Mas, o que acontece depois? 
Vivemos em um mundo em que as pessoas vivem de “amor líquido”, de relações instantâneas assim como o macarrão, em que é mais rápido e mais fácil. O que atrai no consumismo é a facilidade e a rapidez, e assim não conseguimos nos entregar.
Em uma relação rápida, sem intimidade, há entrega?
Como ter um prazer sexual intenso se para o prazer sexual, eu preciso de tempo, intimidade, entrega?
As pessoas demonstram não se satisfazer mais com objetos materiais que compram, como celulares, computadores, sempre querendo alcançar algo melhor, diferente, mais atual. Será que na relação sexual isso também não acontece?
Percebo que hoje em dia, homens e mulheres buscam cada vez mais prazer sexual com diferentes pessoas, em diferentes lugares, posições, momentos, mas será que é isso o que elas precisam?
Ou pessoas que evitam uma intimidade e, por esse motivo, acabam se relacionando sexualmente com diversas pessoas para não se apegar a nenhuma.
Agora, pergunte-se: Será que o que busco com o sexo é o que o sexo pode me proporcionar? E será que realmente me entrego e quero esta relação?

Referências Bibliográficas

Abdo, C. H. (2004). Estudo da vida sexual do brasileiro. São Paulo: Editora Cialis.